Aquecimento Global

O fim do mundo está próximo?

Dez anos depois da Eco 92, há pouco para comemorar. A poluição e o uso predatório dos recursos naturais aceleraram o efeito estufa e a destruição das florestas".

Foi esse o destaque da matéria de capa, O planeta pede socorro, da revista Veja de 21 de agosto de 2002. No texto, sob a foto de uma inundação ocorrida havia pouco na República Checa com a legenda: "Enchente em Praga, na República Checa: agora chove na Europa", aparece o quadro:

Foi uma edição de sucesso. Muitos colégios a utilizaram - e muitos ainda a utilizam - como material de estudo e pesquisa para os seus alunos. É pouco provável que, desde que foi publicada, tenha havido entre seus leitores alguma dúvida sobre a validade de todas as suas afirmações. O aquecimento global e seus efeitos, ou melhor, seus desastres, são idéias tão unânimes e consensuais junto ao público que poucos imaginam que elas possam ser de alguma forma contestadas.

São inúmeros os professores que, escudados nessa ou em matérias semelhantes, dão aulas brilhantes - muitas vezes, aterrorizantes! -, procurando conscientizar seus alunos dos perigos decorrentes dessa degradação do meio ambiente. Alguns chegam a previsões apocalípticas, dando ao nosso pobre planeta - e aos seus desconsolados e apavorados alunos - algumas poucas décadas de vida.

Em princípio, não haveria mal algum nessas matérias nem nas apocalípticas aulas que elas costumam inspirar, desde que essas previsões catastrofistas fossem cientificamente confirmadas, mas isso está longe de ser verdade. O que temos visto, lido e ouvido são, via de regra, hipóteses tomadas como certezas, apoiadas em dados malcompreendidos ou sem confirmação, açodadamente difundidas e descuidadamente ampliadas - "é uma boa causa, não custa exagerar um pouquinho...". Por exemplo, a conclusão da legenda da foto sobre a enchente em Praga - "agora chove na Europa" - pode até ser aceitável como força de expressão, mas os tópicos do quadro que a ela se seguem contêm pelo menos uma grave omissão e uma gravíssima indução ao erro, além da inexistência, não menos grave, de qualquer indicação das fontes de suas afirmações.

Vamos nos referir inicialmente à grave omissão; ela foi a motivação inicial deste artigo: o surpreendente resultado de uma pesquisa recente sobre alterações no clima da Antártica. Durante a nossa pesquisa para apresentar esse resultado resgatamos essa matéria de Veja e nos surpreendeu a ausência, nesse quadro, de referências ao Hemisfério Sul e à Antártica, embora mereçam destaque o Hemisfério Norte e o Oceano Ártico. Será que o Hemisfério Sul não conta ou o efeito estufa não o atinge?

Fonte: Atualidades Científicas